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14/01/2022

Estrada longa e sinuosa

 

Por F. H. Carvalho

O  primeiro contato entre um pré-adolescente nascido na segunda metade dos anos 70 do último século e os Beatles, por ironia do destino, pode ter ocorrido durante um programa de TV. As imagens da última apresentação ao vivo da banda, no palco improvisado sobre o edifício da gravadora, foram mostrados por uma pretensa revista semanal televisiva, em uma época na qual isso ainda era possível - já que os canais de tv agora se parecem tanto com os diários e hebdomadários impressos em sangue e fofocas. Nessa época, provavelmente, o aparelho televisor de casa ainda era sem cores, e também sem aquela infame tela azul, costumeiramente colocada à frente das telas para fazer simulacro de colorização; apenas para destacar que já há tanto tempo entre o ontem e o hoje e os detalhes carecem de precisão, mas não de verdade. Confesso: mesmo ainda menino, acostumado a ouvir sons diversos (alguns mais pesados, influenciados pelo irmão um pouco mais velho), não fiquei tão entusiasmado com aquela banda de quatro sujeitos brancos tremendo de frio sobre um telhado, acompanhandos por um notável pianista negro, que se tornou um pouco o meu herói musical naquela época. 

Billy Preston (1946-2006) é o herói em questão, mesmo tendo escrito o verso “I’m not trying to be your hero” na canção “Nothing for Nothing'', um de seus muitos e esquecidos sucessos. Houvesse as facilidades e distrações da vida moderna naquela época, tais como comunicação instantânea, computadores e telefones móveis “inteligentes”, bem capaz que eu descobrisse ainda mais proezas daquele sujeito talentoso, que ainda menino com menos de uma década, participou de um dueto na mesma TV (mas não a minha) com a lenda Nat King Cole. Preston também é o responsável por uma inspirada versão de “My Sweet Lord” (música que só ganhou um clipe recentemente, 50 anos após seu nascimento), no espetáculo Concert for George ocorrido em 29 de novembro de 2002, em um palco que se tornou uma constelação de estrelas homenageando o, naquele momento, há um ano ausente, George Harrison. Concorde ou não em relação à qualidade da versão dando uma olhada no seu registro em vídeo.

A mais recente imersão no universo da banda ocorreu após a série “Get Back” no serviço Disney+ (aliás, obrigado MercadoPago: pela assinatura gratuita do combo Disney+/Star+ e pelos 50% de desconto no serviço HBO Max). Muito mais do que um mero documentário, tão incensado pelas revistas semanais - que aparentemente tornaram-se programas de TV. O programa é um verdadeiro documento histórico. Graças ao diretor Peter Jackson (1961) com crédito às imagens captadas sob a direção (e sobre a atuação) de Michael Lindsay-Hogg (1940), as quase oito horas de programa, dividido em três partes, esclarecem muitos dos mitos que cercavam aquela que seria a última reunião de George, John, Paul e Ringo como a banda que, de muitos modos distintos, influenciou não apenas a música popular, mas também moda e comportamento no mundo todo.


Segundo a revista Rolling Stone, Jackson teria defendido o tempo de duração de sua edição das filmagens.  “Senti intensamente - e esta é a parte de fã dos Beatles em mim começando: 'Qualquer coisa que não incluir neste filme pode voltar para o cofre por mais 50 anos.' Estava vendo e ouvindo esses momentos incríveis. Eu pensei: 'Deus, as pessoas têm que ver isso. Isso é ótimo. Eles têm que ver isso'.” Na mesma edição, a revista cita uma declaração emocionante de Julian Lennon, primogênito de John Lennon: "O filme me fez amar meu pai de novo, de uma forma que não consigo descrever totalmente. Obrigada por todos que ajudaram a realizar esse projeto. [É de] transformar a vida".

Em Get Back, por exemplo, é possível saborear o processo de criação e amadurecimento da banda inquieta, que, contraditoriamente, se fragmentava exatamente por não querer fazer mais do mesmo. Processo de criação, por exemplo, no caso de Paul e a canção que dá nome à série, “Get Back”

Fábio Carvalho mergulha no universo de The Beatles: Get Back, na abertura da coluna Paralelas

F. H. Carvalho, entre Petrolina e Juazeiro                 Foto: Cláudio Angelim

Apertem os cintos para uma viagem ao centro do mundo. O capixaba Fábio Henrique Carvalho vai explorar no seu primeiro texto para a Folha da Cidade o impressionante documentário The Beatles: Get Back, que mostra como foram os últimos dias da banda mais icônica de todos os tempos.

É com essa pegada que F. H. Carvalho começa a coluna Paralelas aqui na Folha. A postagem acontecerá hoje às 17h, um horário carinhosamente pensado para homenagear os fins de tarde etílicos e inspiradores do ilustre escritor.

F. H. é matemático e professor da Univasf desde 2004, mas já lecionava desde 1995 em Vitória-ES para estudantes do ensino fundamental e médio. Atuou também em cursos pré-vestibulares, faculdades e na Universidade Federal do Espírito Santo, onde se graduou e concluiu especialização. O seu mestrado foi defendido em Maceió-AL.

Radicado no Vale do São Francisco desde 2004, atualmente em Juazeiro-BA, publicou recentemente o excelente Ética Demonstrada à Maneira dos Canalhas - editora Viseu, romance lançado em meio às limitações impostas pela pandemia do covid-19.

23/11/2013

A música como instrumento de interação e inclusão social

O maestro Jackson Pereira (E) e alguns de seus pupilos entre uma apresentação e outra

Ontem foi o dia dos músicos. Para homenageá-los, destacamos o trabalho da nova geração de artistas que fazem parte do cenário musical de Cabrobó.

A nova safra conta com multi-instrumentistas, como os maestros de bandas e fanfarras Jackson Pereira e Rômulo Aranha. Este último, inclusive, estende seu trabalho a produções de outros artistas através de seu estúdio de gravações e mixagem.

Pelo volume de gente envolvida com a música em Cabrobó, já pode ser constatado que o gênero se destaca como uma importante ferramenta de inclusão.

São cerca de 100 crianças e adolescentes que interagem com as atividade que envolvem música, seja nas bandas e fanfarras ou na Escola de Música, da secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, que conta com 40 integrantes.

O ensino da arte se desenvolve sob a batuta do maestro Jackson Pereira, que divide seu tempo como conselheiro tutelar e professor de música.