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25/01/2022

Brumadinho: Três anos depois do crime da Vale, cheias aumentam sofrimento dos atingidos

Comunidades temem a contaminação com os rejeitos da mineradora

O rompimento da barragem de Córrego do Feijão, em Brumadinho, completa hoje (25) três anos. Estudos e depoimentos indicam que, desde o desastre-crime, as cheias do rio Paraopeba se intensificaram, possivelmente pela presença dos rejeitos de mineração, que permanecem no rio.

Muitas famílias e comunidades, impactadas pelo transbordamento, sofrem de maneira ampliada e contínua os danos decorrentes do desastre-crime.

Na região de Esmeraldas, foram atingidas pelas enchentes de janeiro as comunidades de Padre João, Vinháticos, Fazenda da Ponte, Vista Alegre, Riacho, São José, Cachoeirinha, Taquaras, que se encontram em estado de calamidade.

De acordo com dados do poder público e relatos de moradores das localidades, o rio alcançou elevação de 7 metros acima do nível considerado normal, ultrapassando em 1,5 a marca histórica registrada de 1997.

No município de Paraopeba, moradores, trabalhadores e produtores da zona rural foram surpreendidos pela velocidade da enchente e o alcance das águas nas propriedades. “A água passou por cima do meu poço artesiano e chegou até o quadro de ligação de luz.

A sorte é que ainda não tem energia elétrica ligada. Eu nunca vi uma enchente desse tamanho, nunca na vida. Nunca via a água chegar na porta da minha casa”, descreveu a produtora rural, Mona Lisa Cardoso.

Pessoas de comunidades rurais localizadas nos municípios de Pará de Minas, Florestal, Fortuna de Minas, Maravilhas, Papagaios, Pequi e São José da Varginha registraram uma série de fotos e vídeos mostrando o impacto das cheias, evidenciando os prejuízos e chamando a atenção para a necessidade de apoio e doações

Em um estudo do solo conduzido pelo Nacab - Núcleo de Assessoria às Comunidades Atingidas por Barragens, após as cheias do rio Paraopeba no ano de 2020, foram detectadas alterações químicas significativas em 119 amostras de solo coletadas nas áreas afetadas pelas enchentes, com concentrações de metais pesados excedendo os limites previstos na legislação ambiental.

Também foi verificada a presença de altos teores de materiais físicos que fazem parte da composição do rejeito, gerando fortes indícios de que essas alterações têm relação direta com o rompimento da barragem.

Assim, é possível dizer que o derramamento do rejeito sobre o Paraopeba provocou o assoreamento do leito do rio, aumentando a chance de inundações, como as que ocorreram neste mês de janeiro de 2022.

Qualidade da água

De acordo com Lauro Fráguas, gerente de Qualidade da Água e Controle de Riscos à Saúde, do Nacab, “por conta da movimentação mais intensa das águas do rio Paraopeba, o material proveniente da barragem B1 que estava depositado no fundo da calha do rio pode ser suspendido novamente e ser deslocado, avançando na direção do reservatório de Três Marias. Também é possível que algumas substâncias que estavam contidas em sedimentos (materiais sólidos) sejam solubilizadas (misturadas) novamente para a água”.

O Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM) monitora mês a mês a qualidade da água na extensão da Bacia do Paraopeba, desde o rompimento da barragem em Brumadinho. O órgão emitiu, em 17 de janeiro, novo boletim com dados do monitoramento realizado entre os dias 06 a 09 de dezembro de 2021, que já indicava um volume de chuvas acima da média do estado e a presença de metais pesados em níveis preocupantes.

“No mês de dezembro, observou-se que houve resultados superiores ao limite legal estabelecido para Classe 2 pela Deliberação Normativa Conjunta Copam/CERH-MG nº 01/2008 para os parâmetros alumínio dissolvido, chumbo total, turbidez, manganês total e ferro dissolvido”, afirma o boletim do IGAM.

Assessoria às comunidades e campanha de solidariedade

O Núcleo de Assessoria às Comunidades Atingidas por Barragens (Nacab) está de plantão, por telefone e em campo, apoiando e registrando as principais demandas emergenciais das pessoas e comunidades. Além disso, a instituição estabelece contato constante com os órgãos públicos, cobrando respostas e o atendimento das principais carências da população.

O Nacab está também com uma campanha de solidariedade para recolhimento de doações para as pessoas afetadas pelas chuvas nos municípios da Região 3. Todo o valor arrecadado será revertido a auxílio imediato, como água, alimentos, medicamentos, entre outros itens e as primeiras entregas já estão sendo feitas. A CHAVE-PIX é: fornecedor@nacab.org.br

Um comentário:

  1. Minas Gerais é uma bomba relógio ambiental. Em nome do lucro para poucos sofrem as populações de gente e de animais e o meio ambiente como um todo. Basta!

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