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08/02/2022

O que fica é a saudade

Morreram até o presente momento mais de 630 mil pessoas vítimas de covid-19

Por Marcelo Silva de Souza Ribeiro

Uma preocupação vital para os gregos antigos era não ser esquecido. Mais do que temer a morte propriamente dita, ser apagado da história e não estar na memória das gerações futuras constituíam os reais sentidos de uma vida virtuosa para os helênicos. Dessa experiência cultural, decorreu a invenção do “herói trágico” que, padecendo na batalha renascia como um herói. 

Como nós brasileiros lidamos com a memória? Como lidamos com os acontecimentos históricos? É dito em adágio popular que o brasileiro tem memória curta e que, mesmo passando por agruras, esquece logo o que aconteceu.  Seriam, portanto, naturalmente típicos de cada cultura esses modos de lidar com a memória e com os acontecimentos históricos ou algo construído socialmente e mediados pela dimensão política? As mediações políticas no Brasil têm contribuído com os apagamentos de nossas memórias e reforçado aquela outra máxima de que um povo sem memória é um povo sem história?

Sobre esse e outros modos de viver a vida, principalmente em relação a memória, aos acontecimentos e aos sentidos da existência, a humanidade tem experimentado variadas possibilidades de convivência ao longo da história.

Com a pandemia, mais especificamente com o “genocídio” provocado pelas políticas no governo Bolsonaro em relação a minimização da covid-19 chamando-a de “gripezinha”, com o financiamento e a difusão de medicações ineficientes, o chamado “kit covid”, e em relação ao holocausto do experimento “efeito manada”, sobretudo o que ocorreu na região norte do país e mesmo com toda a insistente posição antivacina, ainda que dúbias, morreram até o presente momento mais de 630 mil pessoas, sendo que um número considerável poderia ainda estar viva e ao lado dos seus entes queridos.