| Não temos o direito de entregar tudo nas mãos daqueles que lucram com a fome e a miséria. Precisamos sonhar e lutar por um mundo melhor |
Por Helinando P. de Oliveira
Mais uma quarta-feira de trevas neste 31 de dezembro de 14 bilhões de anos a.C. no reino da poesia. Não há tempo nem espaço e a própria ciência ainda não nascera para descrever o que acontece na eternidade da escuridão. Já a poesia tudo pode. Até mesmo romper as barreiras do princípio e decidir se fica longe ou próxima da sua irmã caçula, a ciência. Diz a poesia que uma forma superior de existência assistia tudo aquilo em silêncio enquanto rascunhava em uma folha de guardanapo (em cinco dimensões) suas equações.
E do nada, Ele decidiu intervir. Pegou as suas escritas e arremessou no vazio – em um silêncio sepulcral – ele havia chegado, enfim, ao conjunto de equações que regiam tudo. Isto foi suficiente para gerar a maior de todas as explosões, que serviu, conta a poesia, para comemorar o nascimento do tempo, do espaço, das ciências e da luz. Daquele pedaço de papel rabiscado nasceram 17 bilhões de planetas (dos quais um deles é a Terra) e se puseram a viajar rumo ao desconhecido. Nossa Terra, essa jovem de 4,54 bilhões de anos passou a acumular vida, mais de dois milhões de espécies que conviviam em harmonia. Porém, muito recentemente, nosso pequeno ponto azul no quadro infinito da existência galáctica viu surgir o homo sapiens, que chegou há 200-300 mil anos. Com uma inteligência admirável ele se pôs de pé, dominou o fogo, a linguagem, as ferramentas e passou a mudar o planeta como nenhuma outra espécie ousara fazer.