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19/01/2022

Elis Regina: 40 anos depois sua voz reverbera na música e na política

Por Emanuel Andrade

Há exatamente 40 anos o dia 19 de janeiro caiu numa terça-feira. De férias estudantil,  ainda adolescente, estava no Recife. Naquele início de tarde, ainda lembro que enquanto aguardava o almoço a então apresentadora do Jornal Hoje, Leda Nagle, abria o telejornal com a notícia da morte, aos 36 anos, de uma das maiores cantoras dos país:  Elis Regina Carvalho Costa, “a pimentinha” como batizou Vinícius de Moraes. A cantora que saia muito jovem do Rio Grande do Sul levando na bagagem o sonho de conquistar o Brasil com sua voz, se retirava de cena poucas horas após tomar café da manhã com os três filhos crianças.

Naquele ano de 1982, o país se animava pela seleção na Copa do Mundo, e ainda  transpirava na estrada estreita e torta dos anos de chumbo sob o comando dos militares que Elis tanto combateu  chamando-os, anos antes, de “gorilas” em entrevista na Europa. Ao voltar teve de se explicar aos generais. Dois anos antes, sua voz invadia as rádios com a canção O bêbado e o equilibrista (João Bosco/Aldir Blanc), o hino da anistia que ela abraçou com garras afiadas engrossando o coro da luta pelo fim da censura ainda vigente e a reabertura política.

Até sua partida, conhecia pouco a trajetória da cantora senão as icônicas interpretações de Arrastão, Fascinação, Como nossos pais, Velha Roupa Colorida, Alô alô Marciano, Aprendendo a Jogar e Me deixas Louca. Passadas quatro décadas, o que dizer de Elis? Uma mulher baixinha que se agigantava no palco e sabia separar a artista da dona de casa. Ela pilotava a carreira e o fogão com maestria. Por sua liberdade e dos mais próximos, derrubava muros, labirintos e preconceitos.

16/04/2014

Vereador Paulo Gonçalves: "Não é justo homenagear ditadores"

Avenida: Vereador defende o nome de Mestre Lima em substituição
ao ex-presidente militar Castello Branco

O vereador Paulo Gonçalves (PT) propôs através de um Projeto de Lei na Câmara Municipal de Cabrobó, a mudança do nome da Av. Presidente Castello Branco, no centro da cidade, para Av. José da Conceição de Lima.

Segundo o vereador, é preciso corrigir alguns erros praticados por prefeitos do passado em relação a nomes de logradouros públicos. "Não é justo nem honesto com o povo brasileiro homenagear ditadores", alegou Paulo.

Como se sabe, Castello Branco foi o primeiro presidente do golpe militar, ocorrido no Brasil em 1964. A partir de seu governo deu-se início a um período de 21 anos de ditadura, onde foi praticada toda sorte de violação dos direitos humanos, com torturas e perseguições.

José da Conceição de Lima, mais conhecido por Mestre Lima, é uma figura local e emblemática no contexto da ditadura. Militante de esquerda, ele chegou a ser preso pelo regime militar e sofreu torturas físicas e psicológicas que o marcaram pelo resto de sua vida.

Mestre Lima tem outro atributo que o credencia a ser homenageado. Ele foi o responsável pelo projeto técnico das amplas avenidas de Cabrobó, o que coloca a cidade entre as cidades mais bonitas do interior do Estado de Pernambuco. Como diz o título de uma reportagem publicada no jornal Folha da Cidade, edição 53, Lima era "Muito mais do que um mestre de obras".

Essas e outra razões levaram o vereador Paulo Gonçalves a questionar a escolha de alguns nos nomes de ruas de Cabrobó. "Castello Branco é motivo de vergonha para todos nós que somos a favor da democracia", afirmou, acrescentando que homenagear o ditador representa "a negação do Estado de Direito."

O projeto, porém, não está sendo bem aceito pelos moradores da própria avenida. Um grupo descontente com a ideia iniciou uma campanha contra a mudança do nome e recolhe assinaturas para apresentar às autoridades.


05/04/2014

50 ANOS DO GOLPE (parte IV): Como os artistas driblavam a censura na ditadura

Este vídeo do Uol, publicado a partir de uma reportagem do SBT, dá uma amostra de como eram absurdas as censuras praticadas contra os artistas brasileiros durante o período da ditadura militar. Ao mesmo tempo, os compositores exerciam todo o seu potencial criativo para enganar os censores, que em geral eram ludibriados.

27/03/2014

Por que algumas pessoas têm saudade dos tempos dos militares?


Por Paulo Nogueira, do DCM

Você pode se perguntar: por que algumas pessoas evocam, saudosas, a ditadura militar?

É como se aqueles tempos, para elas, fossem dourados – sem violência nas ruas, sem crime, sem corrupção.

A resposta é simples.

O mundo que chegava aos brasileiros pela mídia – e o papel dominante da Globo deve ser destacado – era de mentira.

As coisas ruins não eram noticiadas. E então as pessoas menos politizadas tinham uma falsa impressão de paraíso na terra, quando era, na verdade, o inverso.

Nos papeis de Geisel, reunidos num livro sobre o qual falei algumas vezes aqui no DCM, você encontra Roberto Marinho se declarando “o mais fiel aliado dos generais” para pedir mais e novos favores.

Ser aliado era: produzir um noticiário que era uma lavagem cerebral. Pela Globo, tudo era uma beleza no Brasil.