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06/01/2014

Para Noblat, Eduardo Campos se tornou refém de Marina

Marina disse não à aliança do PSB com o PSDB de SP e será a vice na chapa de Eduardo

Por ora, refém de Marina

No final do ano passado, em conversa com um amigo a bordo de um avião que os conduzia ao Rio de Janeiro, Eduardo Campos, governador de Pernambuco e aspirante a candidato à Presidência da República pelo PSB, desabafou num momento de irritação: "Não aguento mais ouvir dos meus interlocutores: 'A Marina está de acordo?' Há momentos em que eu, simplesmente, não entendo o que ela fala. Não entendo mesmo".

A tão louvada habilidade política de Eduardo será testada nos próximos meses pelo gênio difícil da ex ministra do Meio Ambiente Marina Silva. Salvo uma inesperada ou uma repentina e incontornável desavença entre os dois, Marina fará parte da chapa de Eduardo na condição de vice. Mas a que preço? 

Mal anunciou sua filiação ao PSB, enquanto não registra seu partido, a REDE, Marina se opôs a um acordo quase firmado por Eduardo com setores da área rural do Centro-Oeste, o que traria para seu lado uma parcela do DEM representada por Ronaldo Caiado (GO), líder do partido na Câmara dos Deputados.

Bateu duro nos ruralistas, acusando-os de conservadores e de adversários do meio ambiente.

Sugeriu que eles não poderiam ter nenhuma afinidade com uma nova via política que se oferece como alternativa ao PT e ao PSDB. Ameaçou saltar fora do barco de Eduardo. Foi um corre, corre. Caiado enfureceu-se. Eduardo engoliu a seco. Em seguida, Marina levantou a questão das candidaturas aos governos estaduais. Na negociação com Eduardo tentou impor nomes da REDE que a acompanharam na adesão ao PSB.



A questão não foi resolvida. No Paraná, por exemplo, o PSB caminha para apoiar a reeleição do governador Beto Richa (PSDB). Marina é contra. Empenha- se para que o PSB apoie um nome inexpressivo, mas próximo da REDE. No geral, Marina se comporta como se fosse uma agente do PT infiltrada no PSB, dificultando o mais que pode qualquer aproximação entre o partido e o PSDB. Foi o que fez no caso de São Paulo - e ali ganhou a parada.

O PSB paulista faz parte do governo Geraldo Alckmin, assim como fez dos governos do PSDB que o antecederam. E por sua maioria quer apoiar a reeleição de Alckmin. Em troca, poderá emplacar um dos seus nomes como candidato a vice-governador.

Eduardo parecia de acordo. Sonhava em dividir o palanque de Alckmin com Aécio. Aí, Marina disse não sob o argumento de que o PSB tem de se diferenciar do PSDB. Não pode enfrentá-lo na disputa pela Presidência da República conciliando com ele logo no principal estado do país. No primeiro turno, cada partido deve mostrar seu DNA. No segundo, predomina o embate puramente eleitoral, imagina Marina. Se dependesse dela, o candidato do PSB ao governo de São Paulo seria a deputada Luiza Erundina (PSB). Eduardo aceita a indicação. Foi ele que lançou Erundina como candidata a prefeita de São Paulo na última eleição. Erundina quer se eleger mais uma vez deputada federal.

O PT está grato a Marina. É forte a chance de o partido eleger os governadores de Minas Gerais (Fernando Pimentel) e do Rio de Janeiro (Lindbergh Farias).

O eventual enfraquecimento de Alckmin fortalece a chance de o PT eleger Alexandre Padilha governador de São Paulo. Eduardo garante que num segundo turno, o PSB apoiará Alckmin. A se ver.

Tudo vale a pena se a recompensa não for pequena, acha Eduardo. Até suportar Marina - desde que ela o recompense com parte dos votos que atraiu em 2010 quando candidata a presidente.
Marina foi a maior de suas conquistas até aqui.

Ricardo Noblat

6 comentários:

  1. Cabroboense6/1/14 23:20

    Um diz uma coisa e o outro diz outra! É essa é a nova politica? Sérgio Guerra, Jorge Bornhausen,Heráclito Fortes, Ronaldo Caiado e troca de apoio por cargos como no caso do PSDB de Pernambuco? Essa é a nova politica?

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    1. Anônimo8/1/14 05:59

      Cabroboense, o que voce me diz de uma união de Paulo Maluf, Fernando Collor, José Sarney e Gilberto Kassab com Dilma, Lula, isso é pro bem do Brasil? Ora meus amigos, o que tem de pior na política brasileira está junto a Dilma e Lula. Se voce não sabia vá procurar ler um pouco.

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    2. Cabroboense8/1/14 10:27

      Senhor anônimo não confunda partidos com pessoas, a aliança foi do PT com os partidos PMDB e PP partidos da base de apoio do governo federal desde 2003 e não com as pessoas mencionadas e isso é diferente pois o PSDB e DEM sempre foram oposição a Eduardo Campos. E é bom o senhor se informar sobre politica e saber que o PT não faz aliança com pessoas!

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    3. Anônimo9/1/14 10:22

      Essa me fez rir:" PT não faz aliança com pessoas".
      Nem todo mundo é cego.
      Quem não viu a foto de LULA pedindo apoio a MALUF na residencia deste
      para Hadad, candidato a prefeito em São Paulo no ano passado?
      KKKKKKK

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    4. Ei gente, faltou Renan Calheiros, presidente do Senado e um dos braços de Dilma. Cadê os aviões da FÁB.? Tô precisando fazer uns implantes de "cabelo" para fortalecer o país!

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  2. Anônimo9/1/14 10:19

    FRASE DO DIA no blog de Ricardo Noblat
    Meu amigo Eduardo (Campos) vai precisar endurecer o coro para conviver com o baixo padrão ético com que o PT enfrenta os adversários.
    Aécio Neves, presidente do PSDB e senador por MG

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